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Cristo Redentor, Goiás
Bate-papo com Joardo Filho e Divino Sobral
27 de junho de 2026.
Barranco Ateliê 
Lançamento de "Cristo Rendentor, Goiás", fotolivro do artista Joardo Filho, com texto crítico de Divino Sobral.


Foto Rafael Ferraz.

O Barranco Ateliê recebeu o lançamento do fotolivro "Cristo Redentor, Goiás”, do artista Joardo Filho com texto crítico do curador Divino Sobral. Durante o evento, o público participou de um bate-papo com o artista e com o curador sobre o processo criativo em torno da publicação, assim como teve acesso a distribuição gratuita do fotolivro no Barranco. 

Publicado pela Editora Reticências, dos editores cearenses Ana Cecília Soares e Júnior Pimenta, o fotolivro “Cristo Redentor, Goiás” é resultado de uma densa pesquisa de quase 10 anos de Joardo Filho, onde o artista documenta um tipo de monumento recorrente no interior de Goiás: estátuas inspiradas no Cristo Redentor, cartão postal do Rio de Janeiro e ícone nacional. Na publicação, Joardo apresenta um inventário dessas estátuas distribuídas em quarenta e três municípios goianos, levantando questões sobre os imaginários que disputam o espaço público no interior do estado.


 Fotolivro "Cristo Rendentor, Goiás" (2026), de Joardo Filho. Fotos: Rafael Ferraz.

Obras anteriores do artista, também resultante dessa pesquisa, já foram apresentadas em exposições na Galeria da FAV, da Universidade Federal de Goiás, no Museu de Arte Contemporânea de Goiás (MAC GO), em Goiânia, além do Centro Cultural Casa das Onze Janelas, em Belém-PA. Produzindo através da apropriação e edição de imagens pré-existentes disponíveis na plataforma online do Google Street View, no fotolivro o artista “avança na sua reflexão sobre a necessidade de se produzir imagens em um mundo saturado pela multiplicação delas" - como analisa o curador Divino Sobral - colocando assim “suspeição sobre a noção de autoria e sobre o conceito de linguagem fotográfica ‘artística’".

Apesar do enfoque nos monumentos, as imagens apresentadas no fotolivro permitem observar o contexto onde essas estátuas foram inseridas, exibindo cenas com trechos urbanos, espaços públicos, praças e rodovias. Explorando a semelhança entre as diferentes cidades do interior, o livro apresenta uma perspectiva sobre um tipo de paisagem construída no interior de Goiás. Como uma obra de arte de amplo alcance público, a recorrência do Cristo Redentor nessas cidades demonstra a participação da religião na esfera pública, e seu enredamento com ideias de turismo, patrimônio, civismo e identidade nacional.

Imagem do fotolivro "Cristo Redentor Goiás” (2026), de Joardo Filho.

Em seu texto, Divino Sobral observa que “as estátuas instaladas nesses municípios não possuem o mesmo grau de refinamento formal do Cristo Redentor, instalado no Corcovado. Trata-se de obras produzidas por artistas alheios ao circuito institucional de arte, que trabalham atendendo encomendas. (...) Por outro lado é possível observar a diversificação estilística das bases e pedestais utilizados para suportar e elevar as estátuas, e o emprego de arquiteturas como praças, rampas e escadarias, bem como o uso de recursos de paisagismo, afinal o Cristo Redentor pretende ser um atrativo turístico”.

Joardo Filho é graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Goiás - UFG (2012) e participou de exposições coletivas em diferentes espaços como "Dialetos II" (2018) no Centro Cultural São Paulo (CCSP), e o Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás (2022) no MAC Goiás. Foi premiado no 25º Salão Anapolino de Arte (2020) e realizou as exposições individuais "Espaços Invisíveis" (2017) no Museu de Artes Plásticas de Anápolis (MAPA) e "Monumentos Esvaziados" (2019) na Galeria da FAV (UFG). 

Divino Sobral é artista visual, pesquisador e curador independente, de formação autodidata. Atua no circuito de arte desde 1990. Recebeu as premiações de curadoria do Salão Anapolino de Arte (2017) e do Prêmio Marcantonio Vilaça CNI SESI SENAI (2015); prêmio Crítica de Arte do Situações Brasília Prêmio de Artes Visuais do DF (2014); como artista recebeu o Prêmio Marcantonio Vilaça, MinC Funarte (2009), e o Prêmio Festival de Inverno de Bonito/MS (2005). Entre 2011 e 2013 foi Diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás. Como ensaísta integra a Coleção Ensaios Brasileiros Contemporâneos - Artes Visuais, publicado pela Funarte em 2017.

Este projeto foi contemplado pelo Regulamento 01/2024 - Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) / Governo Federal via Prefeitura de Anápolis.




Fotos: Rafael Ferraz.