Programa Goyazes Novembro de 2025 - Março de 2026.
Anápolis - GO.
Considerando a diversidade de sentidos em torno da palavra “pintura”, o Barranco iniciou 2026 com as ações do projeto Ateliê de Pintura, propondo criar circunstâncias para a experimentação em arte contemporânea com enfoque na intersecção com o universo pictórico. O projeto se desdobra ao longo dos primeiros meses do ano, buscando fomentar o intercâmbio no contexto das práticas de ateliê, se desenvolvendo através de atividades como residências de arte, palestra, bate-papo, workshop e exposição.
Durante um intervalo de 5 meses os artistas do Barranco Ateliê, Valdson Ramos, Joardo Filho e Talles Lopes, se dedicaram a explorar suas práticas em intersecção com a pintura, sendo esse período composto por estudos coletivos, visitas de ateliê, experimentações e produções de novos trabalhos. O Barranco também recebeu a artista goiana Isabela Britto para uma residência artística de um mês, onde a artista experimentou um período dedicado a sua prática em diálogo com os artistas do ateliê, além do auxílio de uma bolsa de produção.
Cronograma
16 de jan. de 2026
16-18 de jan. de 2026
Fev - Abril de 2026
28 de março de 2026
Valdson Ramos. Projeto Ateliê de Pintura. 2026.
No decorrer do Ateliê de Pintura, Valdson Ramos investigou as esculturas sacras do renomado artista goiano José Joaquim da Veiga Valle (1806 – 1874). Visitando museus históricos que preservam as obras do santeiro, Ramos pôde intervir sobre as estátuas cobrindo-as com véus de linhos. O artista produziu uma série de pinturas a partir das fotografias feitas dos santos cobertos, chamando a atenção do público para a ornamentação criada por Veiga Valle para a base das esculturas, parte que permanece visível sob o linho.Ao longo de sua trajetória, o artista Joardo Filho vem experimentando os mecanismos de falhas dos suportes artísticos, muitas vezes criando obras a partir dos erros e imperfeições e defeitos imprevisíveis dos dispositivos fotográficos. Durante seu tempo no ateliê, o artista aplicou esse interesse sobre o campo pictórico, lidando propositalmente com a pintura sem o suporte dos métodos tradicionais das Belas Artes. Desse modo, Joardo explorou uma série de abstrações que experimentam a imprevisibilidade dos materiais e as errâncias dos gestos de um artista não-pintor.
Talles Lopes. Projeto Ateliê de Pintura. 2026.
Durante sua residência no Barranco Ateliê, entre fevereiro e março de 2026, Isabella Brito deu início à série "Vagalume tem-tem", uma investigação que articula prática artística e pesquisa conceitual, refletindo sobre memória, apagamento e permanência no Cerrado, a partir do vagalume como metáfora de resistência cultural e ecologia sensível. A artista trabalhou com apropriação de objetos antigos e pintura com tinta fosforescente, explorando paisagem rural, território e imaginário do interior.A produção de Britto durante a residência soma-se à sua pesquisa “O apagar da memória: vagalumes, arte contemporânea e cultura caipira no Cerrado”, desenvolvida pela artista no Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado (PPG TECCER) na Universidade Estadual de Goiás (UEG), sob orientação do prof. Rafael de Almeida no âmbito do Entre-Imagens: Laboratório Experimental de Cinema e Arte.
Isabella Brito. Projeto Ateliê de Pintura. 2026.
Durante o tempo compartilhado pelos artistas, o curador goiano Paulo Henrique Silva realizou uma série de visitas aos ateliês do Barranco, onde a cada encontro pôde desenvolver um acompanhamento crítico sobre a prática dos artistas em residência. Graduado em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Silva dedica-se à curadoria desde 2004, com foco no estudo e na pesquisa da arte contemporânea produzida na Região Centro-Oeste do Brasil. Tal repertório orientou
um intercâmbio baseado numa perspectiva local de arte contemporânea, direcionando em textos, discussões, escritas e o acompanhamento das diferentes experimentações dos artistas ao longo do projeto Ateliê de Pintura. Acompanhamento crítico com o curador Paulo Henrique Silva. Projeto Ateliê de Pintura. 2026.
O projeto lançou um olhar para o intercâmbio entre artistas, propondo colocar a prática no centro do debate artístico e incentivar as experimentações coletivas no contexto do ateliê. Nessa perspectiva, o projeto Ateliê de Pintura também recebeu a artista goiana Selma Parreira para um workshop de Têmpera de ovo no Barranco Ateliê. Além da Conversa Aberta, uma fala pública sobre a trajetória de Parreira, o Workshop ministrado pela artista promoveu três dias voltados à prática e experimentação pictórica em torno da Têmpera. Em parelelo às atividades realizadas no interior do ateliê, o Barranco também coordenou uma ação educativa voltada ao público com deficiência visual em colaboração com o Centro Municipal de Atendimento à Diversidade (CEMAD), em Anápolis, a atividade foi mediada pela artista residente Isabella Brito e por Diego Oliveira, artista residente no Barranco em 2024. Através de dispositivos táteis e também de audiodescrição, os participantes foram convidados a interagir com as obras e discutir sobre as questões levantadas pelos artistas ao longo do projeto.
Como parte do Ateliê de Pintura, o Barranco também articulou uma série de oficinas de Descentralização Cultural voltadas para estudantes da periferia da cidade de Anápolis, realizando oficinas com diferentes turmas do Colégio Estadual Antesina Santana, em Anápolis. Com enfoque no patrimônio local, as oficinas tiveram os artistas Valdson Ramos, Joardo Filho e Talles Lopes como facilitadores, propondo explorar a arte contemporânea como ferramenta para abordar arquivos históricos, especialmente um conjunto de registros fotográficos de distintos períodos do colégio, instituição que completou 100 anos em 2026.
Oficina de Descentralização Cultural.
Colégio Estadual Antesina Santana.
Colégio Estadual Antesina Santana.
Ação educativa em colaboração com Centro Municipal de Atendimento à Diversidade (CEMAD).
Por fim, o intercâmbio desenvolvido entre os artistas ao longo dos meses, desembocou nos processos apresentados no Ateliê Aberto, realizado no dia 28 de março de 2026 no Barranco Ateliê. Além do contato com as obras e experimentações dos artistas, o público local pôde participar de um bate-papo com o curador Paulo Henrique Silva e os artistas Isabella Brito, Joardo Filho, Talles Lopes e Valdson Ramos. Com tradução simultânea em LIBRAS realizada pela intérprete Maria Clara Sahium, o Ateliê Aberto encerrou os ciclo de atividades do Projeto Ateliê de Pintura. Este projeto é realizado com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.
Este projeto é realizado com recursos do Programa Goyazes do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Cultura.